10 de Fevereiro de 2009

"O sentimento de desespero nunca é súbito, não é um desabamento – é o fim de uma escalada mental que vai queimando todos os cartuchos da razão até, aparentemente, não sobrar nenhum, e então a idéia de solidão deixa de ter o charme confortável de uma idéia e ocupa inteira a nossa alma, em que não caberá mais nada, exceto, quem sabe, a coisa-em-si que ele parece procurar tanto: o sentimento do abismo. (Não se mova, que dói.)"

Tezza. Cristovão. O Filho Eterno.

4 de Fevereiro de 2009

E a pessoa ama ainda mais ter 30 anos quando vê que, não bastassem tooodas as demais vantagens, ter 30 anos é tão emblemático que também impede vc de deixar de fazer coisas por conta de acessos repentinos de infantilidade, chiliques de insegurança e afins. Porque né, vc tem 30 anos, o que te dá toda a autoridade pra agir como tal.

É realmente o máximo.

21 de Dezembro de 2008

Ah, o Natal.


Época de se ouvir Simone onipresente nos mercados, elevadores e estacionamentos de shoppings.


Época dos amigos secretos e suas frustrações. Esse ano o senhor meu pai foi finalmente poupado pelo destino e foi minha mãe a escolhida, para dar kits artesanais todos perfumados e atenciosos e ganhar em troca um simples panetone. Vendo-se em perspectiva é lucro, porque do Seu Cosme, que já ganhou cinto usado – até com os quebradinhos do uso do couro – e, em outro ano, perfume empoeirado encalhado há sabe-se lá quantos anos na penteadeira da pessoa, ninguém ganha. Sorte que são desses amigos secretos da correria, em que o sorteio é feito já na hora da revelação, que senão Seu Cosme começaria a duvidar de seu carisma. Mas não, por sorte é só azar.


Época das confraternizações de fim de ano, e do povo querer se encontrar pelo tempo que não conseguiu se ver durante o ano inteiro, resultando em uma média de três jantares por noite, e duas turmas diferentes por noite frustradas com sua incapacidade – cooomo isso? – em estar em dois lugares ao mesmo tempo.


E quilos que se acumulam às vésperas do verão, muito oportunos.


Tempo de shoppings lotados, supermercados intransitáveis e trânsito caótico. E da fuga em massa para o litoral. E da correria para aproveitar o – pouco – tempo pra conseguir se arrumar para a viagem de Ano Novo. Data esta que eu mesma passarei no meio, quase que literalmente, do Rio Grande amado do ilustríssimo, com sua família, na calmaria completa de cidadezinha. Fazer nada é o meu grande e esperado plano de final de ano. E pescar, comer e beber nos intervalos.


Entonces, se a gente não se ver até lá, feliz natal pra todos, com direito às esperanças todas e amoRR próprios do momento.

Machado sabe das cousas.

Esquecer é uma necessidade.
A vida é uma lousa, em que o destino,
para escrever um novo caso,
precisa apagar o caso escrito.

26 de Novembro de 2008

Os gugonautas.

Termo este de lavra da Cris querida, não esqueçamos.

Tão abandonados os gugonautas, mas ainda assim, só de ver agora rapidinho, as incansáveis buscas:

peças teatrais curtas sobre o cotidiano
pessoa nervosa - this is THE place, beibe.
baixar livro o doido da garrafa - faz isso com Adrianinha não, vai. Compra lá.
triciclos aquatico para o mar

A diversidade, essa maravilha.

23 de Novembro de 2008

Lindo!

10 de Novembro de 2008

Foto, foto, adoro foto!

Entonces que a última remanescente dos vinte fechou a década e se encontra enfim com 30.

Que continuam legais, diga-se, mesmo após a ressaca de segunda. Como diria a Sio, que tudo seja imensamente melhor, com exceção das ressacas... que com o tempo só pioram.

Eu fico realmente perdida quando sequer consigo definir, quanto menos expressar, o sentimento do momento. E quando vejo que tudo caminha um caminho paralelo: ao lado, mas sem encontro.

Talvez essa seja a grande metáfora da vez. Ou da vida.

Por que tanta delicadeza eu me perguntava, quando eles me atropelam com um caminhão todas as vezes. Cuidaremos de cultivar o cinismo como maior e melhor arma de defesa na próxima década. Porém sabemos que não há defesa para tudo isso. Não há mesmo defesa para tanto.

Quem sabe numa outra vida, quando formos gatos.

31 de Outubro de 2008

Só pra não deixar o mês inteiro passar em branco.

Tudo bem que é feio, muito feio, só copiar e colar depois de tanto tempo sem notícias, mas a coisa ta braba, pessoar. Mas sobreviveremos para contar, quando der tempo.

Por enquanto, é daqui, como sempre, que vem a salvação ao abandono.

O doido da garrafa
(Adriana Falcão)


Ele não era mais doido do que as outras pessoas do mundo, mas as outras pessoas do mundo insistiam em dizer que ele era doido.

Depois que se apaixonou por uma garrafa de plástico de se carregar na bicicleta e passou a andar sempre com ela pendurada na cintura, virou o Doido da Garrafa.

O Doido da Garrafa fazia passarinhos de papel como ninguém, mas era especialista mesmo em construir barquinhos com palitos. Batizava cada barco com um nome de mulher e, enquanto estava trabalhando nele, morria de amores pela dona imaginária do nome. Depois ia esquecendo uma por uma, todas elas, com exceção de Olívia, uma nau antiga que levou dezessete dias para ser construída.

Batucava muito bem e vivia inventando, de improviso, músicas especialmente compostas para toda e qualquer finalidade, nos mais variados gêneros. Uai aí aquela da mulher de blusa verde atravessando a rua apressada, e o Doido da Garrafa imediatamente compunha um samba, uma valsa, um rock, um rap, um blues, dependendo da mulher de blusa verde, do atravessando, da rua e do apressada. Geralmente ficava uma obra-prima.

Gostava muito de observar as pessoas na rua, do cheiro de café, de cantar e de ouvir música. Não gostava muito do fato de ter pernas, mas acabou se acostumando com elas. De cabelo ele gostava. Em compensação, tinha verdadeiro horror a multidão, bermudão, tubarão, ladrão, camburão, bajulação, afetação, dança de salão, falta de educação e à palavra bife.

Escrevia cartas para ninguém, umas em prosa, outras em poesia, como mero exercício de estilo.

Tinha mania de dar entrevistas para o vento e já sabia a resposta de qualquer pergunta que porventura alguém pudesse lhe fazer um dia.

Ajudava o dicionário a explicar as coisas inventando palavras necessárias, como dorinfinita.

Adorava álgebra, mas tinha particular antipatia por trigonometria, pois não encontrava nenhum motivo para se pegar pedaços de triângulos e fazer contas tão difíceis com eles.

Conhecia mitologia a fundo.

Tinha angústia matinal, uma depressão no meio da tarde que ele chamava de cinco horas, porque era a hora que ela aparecia, e uma insônia crônica a quem chamava carinhosamente de Proserpina.

Sentia uma paixão azul dentro do peito, desde criança, sempre que olhava o mar e orgulhava-se muito disso.

Acreditava no amor, mas tinha vergonha da frase.

Às vezes falava sozinho. Preferia tristeza à agonia.

Todas as noites, entre oito e dez e meia, era visto andando de um lado para o outro da rua, método que tinha inventado para acabar de vez com a preocupação de fazer a volta de repente, quando achava que já tinha andado o suficiente. (Preferia que ninguém percebesse que ele não tinha para onde ir.) Enquanto andava, repetia dentro da cabeça incessantemente a palavra ecumênico sem ter a menor idéia da razão pela qual fazia isso.

Durante o dia o Doido da Garrafa trabalhava numa multinacional, era sujeito bem visto, supervisor de departamento, ganhava um bom salário e gratificações que entregava para a mulher aplicar em fundos de investimento.

No fim do ano ia trocar de carro.

Era excelente chefe de família.

Não era mais doido do que as outras pessoas do mundo, mas sempre que ele passava as outras pessoas do mundo pensavam, lá vai o Doido da Garrafa, e assim se esqueciam das suas próprias garrafas um pouquinho.

25 de Setembro de 2008

Não, e sabe que estou nesta coisa de mal parar no escritório pra fazer os prazos e mais prazos que se acumulam, o que força o trabalho em casa, que é coisa que abomino e tento evitar ao máximo mas que às vezes realmente não dá. E nesse ritmo intenso, o “às vezes” se torna praticamente tododia.

Que toda semana tem audiências e mais audiências. All the time. E daí eu que nem sou lá muito fã das audiências todas, acabo me irritando ainda mais porque além de ter que as fazer assim, duzentas e oitenta e cinco vezes mais do que eu gostaria, ainda fico muito mais tempo fora dos tais prazos, que não param de se acumular e causar os mais freqüentes trabalhos em casa até altas horas.

Mas ainda assim há surpresas.

Daí que se criou um feliz hiato entre as 5943085943 audiências de setembro – mês em que jurei que se não me mudasse pra China agora, nunca mais que ia – e as do começo de outubro, modos que entre dia 23/09 atéééééé 06/10, eu mesma só gerenciaria as cousas e mandaria pessoas fazer audiências, e eu mesma não faria nenhuma. Uma benção, praticamente, de poder ficar efetivamente dentro do escritório fazendo as duasmiltrezentasesessentaetrês peças processuais em pendência. Período em que, teoricamente, diminuiria o tão abominado trabalho em casa.

Teoricamente.

Porque sempre tem os clientes que ligam avisando no dia que precisam de alguém pra fazer coisas no mesmo dia.Tipo assim. Ninguém tem nada marcado nunca, e eu fico aqui lendo jornal mesmo, então essa coisa de avisar em cima da hora não tem problema nenhum, imagina. Sendo que por “coisas”, entendam outras audiências, ou reuniões, ou auditorias e afins.

Mãs, no caso de ontem, foi uma reunião. Com pessoa dos setores municipais do meio ambiente, às tais horas, por causa de multas indevidas, como todas são. Respirei fundo e ainda assim praguejei. Praguejei contra tudo e todos que me inventavam coisas não previstas pra fazer em dia de intenso labor programado e organizado. E assim, pra ontem.

No fim, imensa surpresa. Grandessíssima surpresa ao – depois de me perder, é claro – ver que o tal do setor do meio ambiente ficava, ele mesmo, em meio de enorme área verde de, acho eu, reserva ambiental. Nada mais propício, mas ainda assim surpreendente.

Porque vejam. Reuniões de órgãos públicos pra discutir a aplicação de multas a clientes são sempre em prédios cinza, em dias cinzentos, depois de congestionamentos, e de duas horas e meia de espera. É assim e pronto.

Mas que nada. Esse setor aí era no lugar mais lindo do mundo. Ou da cidade, pelo menos. Bosques para todos os lados. Construções de tijolinhos, sendo que cada bloco era praticamente um chalé. E pra chegar de bloco em bloco, era através de pontezinhas de madeira ou pedra, com um rio cheio de mini-quedas d’água que passava por todo o lugar. Sério gente. Imagina a minha cara de surpresa. Eu, de terno preto e pasta preta – que combina perfeitamente com os prédios cinza, asfalto e congestionamento – destoando da paisagem.

Fiquei tão admirada que esqueci de tirar uma foto com o celular, pra vocês terem uma idéia.

Mas achei aqui, muito mais ou menos, pra dar uma pequenissima noção do que realmente é a coisa toda.



Pra se ter noção, na hora da tal reunião, no gabinete da otoridade – cujas paredes (do gabinete, bem entendido) são inteiras de vidro, com visão pro bosque – eis que me passa um mico, todo faceiro, de árvore em árvore. Verdade verdadeira. Perdi totalmente o fio da meada do que estava sendo tratado e tive que comentar a passagem do mico, que não teve jeito. Fora uns tantos passarinhos diferentes. Coisa mais linda.

Isso que estava nublado e frio, então imagina com sol. Eu é que não ia trabalhar, isso é certo.

Na volta eu até tentei lançar a idéia de um eco-escritório, com rios, pontes e micos de galho em galho, mas não deu muito certo. Distração demais pra muito trabalho e pouco tempo.

Mãs, é algo a se pensar. Que eu trabalhando num lugar desses, certamente não estaria aqui na quinta-feira à noite tomando vinho e rezando pra acordar animada às seis e quinze pra acadimia. E rezando, mais ainda, pra dar conta do trabalho e não ter que trazer nenhuma lição de casa pro final de semana.

Estaria sim lá, paradona, ouvindo o barulhinho tão agradável das quedas d'água, procurando ver um mico ou um beija-flor, quem sabe. Que depois dessa, tudo é possível.

Aqueles dois.

Que já era pra eu ter feito a propaganda aqui há muito mais tempo, mas sacumé. Nem começarei a falar das correrias todas que isso já encheu o saco, eu sei. Mas ainda dá tempo, muita fé.

Pois então, foi essa A peça do Festival de Teatro deste ano. Aquele que a gente nem falou sobre em momento algum nessa vida, quando na verdade março era pra ser sempre o mês mais ilustrado e comentado por aqui pelas bandas do blog.

A melhor peça deste ano, sem dúvidas.

Em meio a várias medianas, que vou te contar. Esse ano foi meio morno, pelo que me lembro. Talvez me faltem as emoções todas do momento, caso eu fosse falar logo depois de ter visto as cousas, mas ainda assim acho que foi meio meio.

A Companhia é mineira, o que nos lembra de várias outras peças igualmente boas vindas de lá. Mais uma anotação no caderninho, ao lado de Campinas: Minas Gerais = bom.

Mas então, Luna Lunera, a Companhia. E texto de quem, quem? Caio Fernando Abreu.

Uma das adaptações mais fiéis de texto para o palco, atrevo-me a dizer cá em minha ignorância. Quatro atores se revezando em dois papéis, todos misturados e todos ao mesmo tempo agora, ora narrando, ora interpretando e assim vai. Um cenário com vários objetos que acabavam sendo usados para ambientar lugares e situações bem diversas. Livros, discos, televisão, cigarro e café.

A gente teve a sorte de ter sido no Paiol, que eu acho que caiu como uma luva pra disposição do cenário e dos atores. Como que se aproximasse mais, entrelaçasse mais, integração total com o público.

O conto está inteiro aqui, como sempre. Daí acho eu que nem preciso entrar muito no que seria a história, propriamente. E é de bom grado ler antes, como sempre. Até pra reparar quão boa é a adaptação, coisa de louco.

Confesso que, no meu preconceito adquirido ao longo de tantos festivais, fiquei deveras cabreira com a expressão corporal toda dos quatro homens que se encostavam, dançavam, coreografavam e interagiam assim, intimamente, antes do começo da peça. Ainda mais que estava eu com Merilú logo ali na primeira fileira, que na verdade era pra ser a segunda – boa visão, mas estratégica para esconder possíveis fiascos –, mas como a A era usada também pro material do cenário, a B virou A e lá ficamos nós assim, tão expostas.

Mas que nada. Lindo o texto, linda a peça. Excelente trabalho e muito bom de ser visto. Isso que fomos lá numa terça (ou seria quarta) de intenso trabalho e muita vontade de ficar em casa. Ou seja, até Moniquinha Salmaso – e não me orgulho disso – já foi alvo de bocejos em situações assim. E a peça não, em nenhum momento. O tempo passa daquele jeito bom que devia ser sempre.

Com o perigo de estragar uma surpresa na peça – então não leia as próximas linhas se quiser ver a apresentação antes sem saber de nada – até a cena de nudez é bem colocada. E olhe que nudez é outro dos meus tantos preconceitos e pés-atrás teatrais, que pra mim é dificílimo não ficar agressivo, muito pudica que sou. E quase sempre desnecessário. Mas nesta peça em específico foi até suave, se é que isso existe.

Então vão lá, que dá tempo. Sexta, sábado (a las nueve) e domingo (a las siete). Ótemo programa, altamente recomendável. E barato né, vá lá. Pelo que diz o folder, dérreal a inteira e cincão a meia. Pelamor, mais barato que o Festival e mais barato do que qualquer outra coisa do nível.

“Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra”.

4 de Setembro de 2008

Mas sabe que ontem coincidentemente eu assisti aquela belezura de filme, com a mocinha Jennifer esposa (ou seria ex, que eu nunca sei) do mocinho Ben Afleck. Justamente sobre o quê, o quê?? Os TRIIINTA. Muito bem.

Sério, nunca tinha visto e nem imaginava que era, só parei pra ver porque tinha lá uma cena de festinha de porão aos anos oitenta e no fim era o tal do filme dos TRINTA.

Daí apesar da aguice com açúcar toda e do fato de como as pessoas que desejam ser grandes e realizam seus pedidos terem sempre profissões que se adaptam facilmente a qualquer idade da infância querida – ninguém é médico, contador, manobrista –, foi ali o ponto inicial das reflexões todas. Daquela coisa de como a escolha mais simples pode mudar a história da vida da pessoa por completo.

Imagina. Que eu moro aqui de um lado da cidade e acabei indo parar em uma escola láááá do outro lado do mundo para mim, por causa de uma bolsa que mamã recebeu enquanto funcionária pública de outrora. E era uma lista com três escolas, e no fim foi naquela que eu acabei. Mas SE não tivesse sido, repare. Provavelmente nunca que conheceria Merilú, já que foi no fatídico primário que tudo se iniciou. Imagiiiina,. E nem Anna e nem Juju. Daí veja que Juju não conheceria Thiaguito, amigo de faculdade de Merilú, e nem estariam de casório marcado para o final do ano. E nem Anna namoraria André que me apresentaria o amigo Daniel, com quem não estaria eu casada, convivida e amasiada. Isso sem contar que Merilú nunca conheceria nem teria trabalhado com Ferdinanda, que por sua vez foi minha amiga de faculdade, e nem Ferdinanda conheceria Rafael, que foi amigo de faculdade de Merilú. E nem Ferdinanda teria morado com Day, que foi amiga de segundo grau da minha irmã.
Ou não.

Que pode ser que todo mundo se conhecesse de alguma outra maneira né, que Curitiba é um cú mesmo e nunca se sabe.

Mas, ao que tudo indica, todo um universo paralelo se instalaria e o mundo estaria perdido. Que ESTA verdade real tal qual conhecemos é a ordem das coisas e nunca outra. Esta é a melhor de todas, o final feliz dos filmes, o certo.

Isso se eu tivesse ido pra alguma das outras duas escolas lá, em 1984.

Agora imagine se seu Cosme inventa de ficar no Rio de Janeiro e não conhece Dona Edith aqui na terrinha? Por onde não andaria yo. E assim nas respectivas famílias de cada um desses que se cruzaram pela vida. Coisa de louco. Sinal de sandice, acho.

Que eu mesma não sei bem onde isso termina.

Mas ufa que tudo são ‘se’s.

Dos TRINTA

Porque os TRINTA não passam batidos nem que a gente tente. Com todo o poder de abstração – não que seja o caso –, ainda assim é impossível se esquecer dos TRINTA. Você pode até tentar fingir que não é com você, que imagina, você é tão maior que essas coisas de idade, sabe como.

Mas não.

Os TRINTA estão aí e chegam, para todos.

E quando se vê, se está inconscientemente fazendo aqueles milhões de reflexões por minuto, de como a vida anda tão rápido e de como você achava que isso ou aquilo já iria ter acontecido aos TRINTA, e de como as perspectivas mudam radicalmente a cada ano – imagine pensando em décadas, então – e de como as reflexões de tempos atrás já não se aplicam mais.

Mais do que tudo, essas mudanças de perspectivas.

Que quando na infância doirada, nos tempos de rosada rebenta, como bem diria Thiaguito, eu mesma sempre colocava nas brincadeiras de contagem de anos e eventos que se sucederiam na vida, os 22 anos como uma ótima idade para casar. E com o apoio de dona Edith, que bem lembro, que concordava e endossava do quão boa a idade dos 22 era boa para o evento casadoiro. Mas naquela época minha profissão seria paleontóloga ou cantora, então as coisas realmente não regulavam, nem sob a mais complacente das perspectivas.

Mesmo mais tarde, nas épocas tensas de vestibular, os TRINTA eram sinônimo de estabilidade, conforto e conquistas materiais todas devidamente satisfeitas, quem sabe até com prole criada. Não, acho que nem tanto. Não especificadamente os TRINTA, já que aos dezessete não se pensa – ou não era só comigo – exatamente no que cada idade representaria e nem em chegar os TRINTA mais precisamente. Mas quem tinha TRINTA era gente adulta, senhôures e senhôuras, tenho quase certeza. Que a memória, que já era fraca, me falha por completo neste momento.

Mal sabia eu que sairia da faculdade com 22 – aqueeela idade lá, boa que só pra se casar –, com diploma e carteirinha, sem experiência nenhuma nessa vida, nem noção da gravidade de nada, e levaria este choque imenso sobre o que é realmente ser responsável pela vida dos outros, ou pelo menos pelo patrimônio alheio. Que é uma responsabilidade. Te contar. A gente acostuma, como tudo nessa vida, e acaba meio que sem perceber minimizando a preocupação constante com o tamanho da coisa, porque senão também não se trabalha. O tal do distanciamento necessário. Mas ainda assim é grande, a gente é que prefere não lembrar. Senão certamente nem aos TRINTA chegaria.

Daí que, cá estou eu, essa gente adulta. Sem a estabilidade imaginada, sem nem um décimo das tais conquistas materiais, preocupada que só com tudo e com todos nessa vida, trabalhando até não poder mais.

E se começa a perceber o tamanho do amadurecimento dos vinte aos TRINTA. Sem brincadeira, verdade verdadeira. A noção de tudo melhora, as percepções todas, a visão crítica, digamos, de toda a informação que se absorve o tempo inteiro. E principalmente a noção do quanto ainda se tem a amadurecer.

E isso é bom, muito bom. Sinceramente bom. Conscientemente bom.

Pero sin perder la ternura, é claro.

Que ao mesmo tempo se pensa no ritmo que se consegue manter, nas coisas a conhecer, no companheiro extraordinário que se tem, nos amigos tidos e mantidos e que seguem exatamente este mesmo ritmo, como que por simetria. Automática, espontânea e confortante simetria, que só se consegue assim, quando se está nos TRINTA, ou perto.

E nas possibilidades todas que se enxerga agora um pouco mais do alto, e os zilhões de oportunidades, da consciência da capacidade de ação, e no quanto ainda se vai aprender. Tomada e inundada, eu diria, pelas possibilidades, é o sentimento do dia. Com sorte, de todos os TRINTAs.

E até uma nostalgia antecipada, que algo me diz que vai ser a época melhor de se lembrar depois. A vida promete.

31 de Julho de 2008

O Sistema Repetitivo de Desapegos.

Cansativo, hein?

Bastante.

20 de Julho de 2008

Meet Joseph.




Nosso novo peso pra porta. Não 'novo', propriamente, que é o primeiro e único. Os vizinhos certamente agradecem.

Eu mesma que comprei ele hoje na feirinha, e eu mesma já levei dois sustos com ele ali no chão da cozinha. Saco. Que eu ando no escuro e ele tem aquele rabinho ali que realmente engana a pessoa mais desavisada. E sendo eu a desavisada mor, já vi tudo.

Ano do rato, diz-que. Ano do Joseph.

19 de Julho de 2008

Só pra se ter uma idéia


Não, mas só pra se ter uma idéia mesmo, do drama.


Uma página do tal diário, assim super aleatória e randômica:


Quinta-feira, 04-07-1991:
(...) Na escola, eu tirei (na classificação geral) 3º lugar na trilha e a Jú e eu 2º lugar na peteca!


Sério. Seriíssimo. Geek total. How nerd was I. Sendo o ‘was’ por minha própria conta e risco.


Mas te digo. Não precisa de muito. Elas, as aberrações, saltam – saltitam, pululam – aos olhos.

Mas a verdade é que


Não apenas o blog aqui coitado foi abandonado, como também eu mesma nunca mais que li blog nenhum nessa vida. E o nunca mais que eu digo são dois, três meses sem ler nada de nada por aqui. Eu sou uma péssima administradora do tempo, eu sei. Uma época tinha cursos disso, de toda dinâmica da coisa e de – como é o nome mesmo? – tipo potencializar ao máximo o pouco tempo de que se dispõe. Tem um nome isso, eu acho. Mas o facto é que nunca fiz desses cursos que desde o primário eu precisaria, mãs.


E, portanto, não tenho tempo para nada. Só se trabalha nessa vida. Mas é que vocês não sabem, falando assim fica tudo muito genérico, mas a quantidade de trabalho é realmente assombrosa. Tudo na expectativa de colher os frutos num futuro incerto e não sabido. Mas a esperança, essa peste, sempre nos ronda e acaba fazendo com que essa rotina dos infernos se repita e repita indefinidamente.


Daí que a partir do momento em que se resolve atualizar o tal do blog, otomaticamente aparece aquela vontade incrível de se atualizar no mundo bloguístico como um todo, e pra variar se começa pelo primeiro da lista ali nas direitas. SÓ QUE Cris querida escreve mileduzentos posts por dia, e daí se começa a baixar as musiquinhas todas tão gentilmente compartilhadas e daí quando se vê, se está sozinhabandonada na sexta – que mata – à noite, toda animada e tomando cervejas. De 473 mililitros, que foram herança deixada do sábado passado, muito divertido, diga-se. Ocasião esta que me rendeu uma senhoura ressaca. Digníssimo espouso convivente e amigado ganhou de presente um narguile – sendo que não tenho condições e/ou vontades de procurar como diabos se escreve narguile neste momento –, sendo que desde abril constatei que ressaca de cerveja + narguile é 854983 vezes pior do que aquela usual velha amiga irmã camarada ressaquinha normal.


Perdi-me-me.


Então.


Pois as tais musiquinhas, somadas as cervejas de 473 mililililitros e à solidão total da sexta-feira, já que espouso convivente e amigado está na labuta, que trabalho por escala tem disso, acabaram por fazer que, não mais que de repente, não se sabe onde, como ou por que, surgisse em minha frente mais uma daquelas antiguidades que a gente sabe que tem, mas só a cerveja amiga ajuda a lembrar que.


Diário de 1991.


Eu tinha encontrado o famigerado quando estava de mudança, há quase dois anos, e na época tinha cogitado de escrever a respeito, como já foi feito naquela coisa do caderno de confidências. Vou ler com muita calma, mas só de revesgueio já vi coisas do tipo “não vou na festa do fulano, porque ele tem bafo de cerveja” – quem te viu, quem te vê –, ou ainda “ele disse que morava em tal lugar, mas acho que era só alugação”, e o mais rico vocabulário do tipo acavalhação, gazear e zonear. Ou seje.


Só em outra noute dessas com muita cerveja é que a leitura total será possível. Mas já aviso que 473 mililitros será pouco, muito pouco, para o que deve aparecer.

18 de Julho de 2008

A gente pisca


E lá se vai uma semana, um mês, e nada do pobre aqui ser atualizado.


Sei que em algum momento nesta vida eu fiquei incumbida de falar sobre o show da Monica Salmaso, que a gente viu no mês passado, que se foi assim rápido como nunca dantes. Procurando aqui para lembrar, já que as datas me fogem todas – meus neurônios estão programados para os prazos, que se eu resolver agora querer lembrar de coisas outras como datas, nomes e rostos, seria o meu fim –, eis que o show foi na sexta-feira treze, para animar o dia.


E lindo, sabe, o show. Linda ela também, mais querida do mundo, toda simpática e humilde e agradável. Um vozeirão que deusolivre, devidamente acompanhada do Grupo Pau Brasil, que, devo dizer, desconhecia até então. Por as novidades também me fogem todas, como nunca dantes. Novidade muito boa essa, diga-se. Arranjos maravilhosos para as músicas do Chico na voz poderosa da mocinha ali. Chico, imagina. Como ela mesma bem disse, facinho facinho a gente seleciona as nossas cinqüenta preferidas do Chico, então imagine o trabalho para enxugar tudo para o show.


Beatriz foi uma coisa de louco. Aqui tem, mas ao vivo é tudo muito muito muito mais emocionante.


Daí que mesmo sendo sexta – e as sextas matam, naquele cansaço acumulado velho conhecido –, foi tudo muito empolgante e novo.


E mais novo ainda continuar a noutada na tal da Cantina do Délio, que sempre que era pra gente ir, mas nunca que dava, e no fim aquela casinha aparentemente pequenininha e toda simples, tem três andares e a decoração mais super legal de todos os tempos. Que apesar dessa coisa estilo armazém já estar mais do que batida por aqui, ali conseguiram inovar. No andar mais de cima de todos, onde ficamos, tinha até sininho pra chamar o garçom, vejam vocês. E mesas rústicas de madeira, e objetos antigos, e velas! Muito interativo tudo isso. Pena que termina cedo, independente da empolgação e da insistência de muitos. Sendo os muitos, no caso, nós mesmos, na nossa eterna sina de fecha-bar ou fecha-restaurante ou ainda fecha-cantina.


De modos que, é ilso. Chega por hoje, que eu garanto que são várias as coisas pra se contar nessas alturas, mas hoje é sexta, e sexta mata.

31 de Maio de 2008

A tal da dança com facas:

video

29 de Maio de 2008

De Gramado, Canela e Adjacências,
desta vez, por Mariana


Excursão.

Aquela coisa.

Fiquei um pouco atordoada quando percebi que a guia passaria os 4 dias seguintes, no decorrer de todos os passeios, falando e falando e falando nos nossos ouvidos. E falando no gerúndio, o que é bastante pior. Este o primeiro fenômeno peculiar da viagem: a guia somente falava no gerúndio quando fazia as explanações; nas conversas descomprometidas ela ressuscitava o bom português e falava certinho.

Aí que o grande barato da viagem foi mesmo o grupo da excursão.

Tinha de um tudo, minha gente.

Nós, as únicas xóvens solteiras, além de um outro xóvem solteiro que acompanhava o casal de velhinhos senhores seus pais, a fim de evitar que o casal se matasse; vários casais de meia-idade, alguns casais xóvens, dentre eles um em lua-de-mel e outro cujo marido era a cara do Zed do Loucademia de Polícia; uma mãe e uma filha e uma solteira de meia-idade psicanalisada (palavras dela mesma). E um metrossexual de meia-idade cantor da velha guarda.

Inevitáveis foram os acessos de riso, portanto. E os cochichos seguidos de risadinhas presas, o que gerava, Kerol sabe, aquela explosão mais ruidosa que a gargalhada propriamente. Isso tudo grande parte das vezes enquanto a guia explanava, mas todos os santos são testemunhas de que era para desviar a atenção do gerundismo todo que doía no ouvido.

Eu tenho 8 anos.

Mãs, ...não sem motivo: todos os restaurantes que íamos em que eventualmente houvesse música ao vivo, o nosso amigo cantante levantava a hipótese de dar uma palhinha até que no meio do repertório ora de canções italianas ora de música gaudéria, ele subia ao palco pra cantar “Ronda” ou “Chega de saudade”, em interpretações altamente teatrais absolutamente apaixonado por si mesmo que era. Quando desceu do palco e eu, naturalmente, cumprimentei-o-o pela apresentação, ele ficou muito admirado de eu conhecer “Ronda” (sabe cumé, sô xóvem) e mais admirado ainda de eu conhecer “Negue”. Neste mesmo embalo, disse, com toda a ausência de modéstia que lhe era peculiar, que o “Negue” dele não deixava nada a dever ao “Negue” de Maria Bethânia.

Enquanto isso, estreitávamos a relação com a nossa amiga psicanalisada que nos explicava que na nossa sociedade as mulheres ainda buscam um homem provedor e de que ela, ao contrário, não queria um homem para troféu. E que é no silêncio que escutamos a nossa alma, além de que a guia não entendia nada sobre a relação capital-trabalho, momento em que descobrimos que ela era, além de psicanalisada, socióloga, claro.

E a moça em lua-de-mel visivelmente acima do peso que nos contou quase em segredo,...como se não pudéssemos perceber..., que é gordinha, mas que o recém-marido só foi descobrir isso agora, depois do casamento, quando ela resolveu abandonar as 3 cintas que usava pra sair com ele.

E a “Garfo & Bombacha”, um show de churrascaria, onde se come e se assiste ao show em que os gaúchos provam que são realmente machos, numa dança com facões deveras impressionante.

Tiveram também os passeios.

Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Gramado, Canela e Nova Petrópolis, o tour do vinho e dos chocolates e dos couros, da comilança desgovernada e das coisas carérrimas.

Os carros páram pra não atrapalhar a sua foto.

O teleférico do Parque do Caracol e a escadaria que leva lááá embaixo da Cascata do Caracol, lindíssima, foram os meus preferidos, eu que vivo este momento lindo de integração com a natureza.


Numa definição sucinta, Gramado é européia até dizer chega, com direito a descendentes nórdicos lindíssimos desfilando pelas ruas.

Enfim, recomêindo.

Era um dia em que eu intencionava fortemente passar todo ele de mau humor.

Que era segunda, a tal da angústia matinal do doido, a força descomunal pra sair da cama, o atraso, os 40 minutos não planejados esperando o ônibus...

Ensaiando quadras antes a minha melhor cara para o início triunfal do dia de trabalho, eis que na chegada da portaria do prédio, o porteiro - aquele que já não disfarça os olhares 43 para o meu lado - pergunta-me, logo depois do bom dia, se sou romântica e se gosto de poesia e me entrega um papel que seria um texto escrito por ele mesmo, já que ele está a escrever um livro, e sabe que existem erros na escrita, mas mesmo assim gostaria que eu o lesse:


Fecham as portas do elevador, eu com o texto na mão, tendo que manter ainda 'a melhor cara' pra não ser delatada pela câmera do elevador cujas imagens são vistas em tempo real por quem, por quem?

Alguns dias depois, ele me diz que escreveu outro texto, desta vez sobre a “saudade”.

* Transcrevo, já que os html's não me axudam:

Só para Refletir.
A Felicidade
A Felicidade Para Algumas pessoas Pode Até Demorar E, As Pessoas Que Nós.....Amamos Nos Magoa E....Nada Podemos Fazer Se Não Continuarmos a Nossa Longa Caminhada Do Nosso Dia a Dia , E Claro!!! Com o Nosso Coração Machucado.
Sabe, Muitas Vezes Falta Também Amor, Esperança, Compreensão De ambas Partes.
Sabemos Que o Amor-Nos Machuca Profundamente E...A Gente Vai Recuperando Lentamente Dessas Feridas Tão Dolorosas.
Perdemos Também a Nossa Fé e....Então Descobrimos Que Precisamos Acreditar Mais! Tanto Quanto o Ar Que Respiramos; No Qual A Única Razão De Existir E Viver.
Reflita.

Ctba, 05/05/2008.